Com maioria na bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional, os três deputados federais do PSDB, Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende, estão divididos quanto ao apoio ou não do Governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara Federal.
Se pela vontade de Beto Pereira, a bancada federal do partido no Estado tem de ser independente, tendo liberdade para votar a favor nos projetos que forem importantes para o Brasil e para o Estado ou votar contra quando compreender que a pauta não condiz com o bem-estar da população, já para Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende o mais indicado é andar ao lago da base do Governo Lula na Casa de Leis.
Em conversa com a reportagem do jornal Correio do Estado, o deputado federal reeleito Beto Pereira reforçou que, mesmo com a possibilidade da criação de uma Federação Partidária composta por PSDB, Cidadania e Podemos, conforme autoriza a Lei Federal nº 14.208, sancionada no dia 28 de setembro de 2021, o posicionamento de independência em relação ao Governo Lula na Câmara dos Deputados será mantida.
“Nas eleições deste ano, o PSDB já formou uma Federação Partidária com o Cidadania e, agora, estão bem adiantadas as articulações para que seja criada uma nova Federação com PSDB, Cidadania e Podemos”, revelou.
Ainda segundo Beto Pereira, existia a possibilidade de o MDB integrar essa Federação Partidária, porém, em razão de o partido já estar praticamente dentro do Governo Lula, a legenda está excluída desse processo. “Queremos independência para votar a favor quando for bom para o País e contra quando entendermos que seja prejudicial. Por isso, nosso posicionamento continuará sendo independente”, ressaltou.
Perto da esquerda
Já o deputado federal eleito Geraldo Resende informou que em dezembro deste ano ou em janeiro de 2023 a bancada federal do PSDB de Mato Grosso do Sul deve se reunir com a direção nacional do partido para tratar dessa questão.
“Por enquanto, com as negociações para a criação da Federação Partidária entre PSDB, Cidadania e Podemos, o foco tem sido essa questão, pois a bancada federal dessa Federação será a terceira maior do Congresso Nacional.
Dessa forma, teremos mais tempo na televisão e mais recursos para as futuras campanhas eleitorais. Por isso, sou favorável que o presidente estadual do PSDB, governador Reinaldo Azambuja, reúna a nossa bancada e alinhe esse discurso, mas, pessoalmente, acredito que o momento é de apoio ao Governo Lula, precisamos ser mais colaborativos”, pontuou.
O deputado federal reeleito Dagoberto Nogueira também é favorável que a bancada federal do PSDB de Mato Grosso do Sul fique na base aliada do Governo Lula na Câmara Federal.
“Minha disposição pessoal é de integrar a base aliada do Governo Lula, mas, como já disse, esse é um pensamento meu. Nesse sentido, pretendo me reunir com o presidente estadual do PSDB, governador Reinaldo Azambuja, e com o governador eleito Eduardo Riedel para conversar sobre qual deve ser o nosso posicionamento na Câmara dos Deputados”, afirmou, lembrando que ainda tem a questão da criação da Federação Partidária, o que pode mudar tudo.
Na prática, conforme a reportagem do Correio do Estado apurou, a tendência é que a bancada federal do PSDB de Mato Grosso do Sul fique ao lado do Governo Lula, mas, no momento, essa definição está sendo protelada para não ser vista como uma traição aos bolsonaristas que votaram em Eduardo Riedel.
A aproximação com o presidente eleito petista é tão natural que, nesta quarta-feira (09/11), em Brasília (DF), o governador Reinaldo Azambuja e o governador eleito Eduardo Riedel encontraram-se com a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que já faz parte da comissão de transição de Lula e está cotada para assumir o Ministério da Cidadania.
Fonte: Correio do Estado
